Eugênio Bucci. Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal

Eugênio Bucci: o mais novo imortal da Academia Paulista de Letras

Eleito imortal da Academia Paulista de Letras em agosto, Bucci passou a ocupar a cadeira de número 12

25 outubro 2026

Eugênio Bucci. Arquivo Pessoal
Eugênio Bucci. Arquivo Pessoal

Em solenidade ocorrida na noite de 3 de outubro, o jornalista e professor Eugênio Bucci, titular da Escola
de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e superintendente de comunicação da universidade, ocupou a cadeira nº 12 da Academia Paulista de Letras, que pertencia a Paulo Nathanael Pereira de Souza, falecido em maio deste ano, e a quem dedicou parte de seu discurso de posse. Mas, inicialmente, Bucci citou todos os membros que ocuparam a cadeira 12, a partir de seu patrono Paulo Egydio de Oliveira Carvalho, que também se dedicou à imprensa, consagrou-se como advogado, promotor de justiça e intelectual público. Conforme Bucci, sob sua inspiração, cinco pessoas já ocuparam a cadeira 12: Alberto de Melo Seabra, René Thiollier, Maria de Lourdes Teixeira, Benedicto Ferri de Barros e o educador Paulo Nathanael Pereira de Souza.

Eugênio Bucci disse em seu discurso: “Agora, chego a Paulo Nathanael Pereira de Souza, que me toca mais de perto. Em uma sessão recente da nossa Academia, que aconteceu aqui, no segundo andar, estivemos juntos. Foi no dia 16 de maio. Eu compareci, a convite do presidente Antonio Penteado Mendonça, para expor o argumento de um pequeno livro meu. Não posso me esquecer de Paulo Nathanael, com seus 95 anos, circunspecto, olhando para mim do outro lado da mesa. Senti a responsabilidade de ter como ouvinte um dos maiores educadores do Brasil.

Nove dias depois, ele faleceu. Hoje, experimento uma sensação idêntica. A contingência de ficar no lugar dele pesa ainda mais que a casualidade de falar para ele. Substituí-lo está acima das minhas capacidades. Só o que me tranquiliza é saber que não vou substituí-lo, mas conviver com ele. Ou, melhor, vou dialogar com ele, como estou fazendo agora”.

Em um auditório lotado, os presentes assistiram atentamente ao discurso emocionado de Eugênio Bucci, que abordou, também, sobre sua trajetória desde o ingresso na Faculdade do Largo de São Francisco e na Escola de Comunicações e Artes da USP, além de sua luta pela liberdade de expressão, uma causa que ainda marca profundamente sua vida. ■


Eugênio Bucci é membro curador da Fundação Padre Anchieta. Entre as distinções recebidas constam o Prêmio Esso, em 2013, na categoria Melhor Contribuição à Imprensa pela edição da Revista de Jornalismo ESPM – edição brasileira da Columbia Journalism Review, o Prêmio Excelência Jornalística 2012 de La Sociedad Interamericana de Prensa e o Prêmio Luiz Beltrão de Ciências de Comunicação em 2011, na categoria Liderança Emergente. Foi finalista do Prêmio Jabuti por cinco vezes e vencedor da primeira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico em 2024. Seu livro Incerteza, um ensaio: Como pensamos a ideia que nos desorienta (e orienta o mundo digital) recebeu o primeiro lugar na categoria Comunicação e Informação. Autor de 12 livros, foi também editor da Revista de Jornalismo ESPM.

Artigo publicado originalmente na edição 34 da Revista de Jornalismo ESPM CRJ. Julho – Dezembro 2024

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