
Sob o tema “o jornalismo é ambiental: Responsabilidade e Informação no Combate às Mudanças Climáticas”, foi realizado em 17 de outubro, na sede da ESPM em São Paulo, o 8º Seminário Internacional de Jornalismo ESPM/ Columbia University – Journalism School. Com apresentação da professora de Jornalismo da ESPM Claudia Bradarioli, na abertura estiveram presentes Dalton Pastore, presidente da ESPM; José Roberto
Whitaker Penteado, editor da Revista de Jornalismo ESPM (edição brasileira da Columbia Journalism Review) e presidente da ESPM de 2010 a 2018; e Elena Cabral, professora e assistente do reitor nos Programas Acadêmicos e Comunicações da Escola de Jornalismo de Columbia. As palavras finais foram de Maria Elisabete Antonioli, coordenadora do curso de Jornalismo da ESPM-SP.
Convidados do Brasil e do exterior e professores da ESPM participaram do evento: Daniela Chiaretti, jornalista, repórter especial de ambiente no Valor Econômico e membro do comitê fundador do Rainforest Journalism Fund; Jonathan Watts, jornalista britânico, correspondente de meio ambiente do The Guardian, fundador do Rainforest Journalism Fund e um dos fundadores do Sumaúma; Leão Serva, jornalista, diretor internacional e correspondente em Londres da TV Cultura e professor de Jornalismo na ESPM; Marcelo Leite, jornalista, colunista da Folha de S.Paulo e autor dos livros Promessas do Genoma e Psiconautas – Viagens com a Ciência Psicodélica Brasileira; Muriel Alarcón, jornalista chilena, professora da Pontíficia Universidade Católica do Chile e mestre em Ciências, Saúde e Jornalismo Ambiental pela Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia; Ricardo Gandour, jornalista, fundador da R. Gandour Estratégia e Comunicação e professor de Jornalismo da ESPM; e Verônica Goyzueta, jornalista, uma das fundadoras do Sumaúma e professora de Jornalismo da ESPM.
José Roberto Whitaker Penteado

José Roberto Whitaker penteado, foi editor da Revista de Jornalismo ESPM – edição brasileira da Columbia Journalism Review e presidente da ESPM de 2010 a 2018.
Roberto Civita me ligou e disse o seguinte: “Gostaria de convidar
você para ir comigo a Nova York, porque eu vou apresentá-lo lá na
Columbia para você começar um curso de Jornalismo no Brasil. Nós
fomos a Columbia e fechamos, então, esse convênio com a revista
Quando eu assumi a presidência da ESPM, não havia ainda o curso de Jornalismo. Mas eu tinha muito desejo
que a escola tivesse, porque ela começou só com publicidade e depois foi abrindo outros cursos. Mas não tinha ainda Jornalismo. Assim, eu gostaria de prestar uma homenagem ao verdadeiro pai da nossa escola de Jornalismo, que faleceu há não muito tempo, o Roberto Civita, que foi presidente da Abril, grande empresa de jornalismo fundada pelo pai dele, o italiano chamado Vitor Civita, que eu também conheci.
Eu me lembro que o Roberto Civita me ligou e disse o seguinte: “Gostaria de convidar você para ir comigo a Nova York, porque eu vou apresentá-lo lá na Columbia para você começar um curso de Jornalismo no Brasil. Nós fomos a Columbia e fechamos, então, esse convênio com a revista. E assim, o nosso curso de Jornalismo teve início em 2011. Então, eu gostaria de mencionar, na abertura deste seminário, como começou o nosso curso de Jornalismo e trazer essa lembrança, essa homenagem ao Roberto Civita.
Elena Cabral

Elena Cabral, professora e assistente do reitor nos Programas Acadêmicos e Comunicações da Escola de Jornalismo de Columbia.
A Columbia Journalism School e a ESPM têm uma missão vital em comum: preparar estudantes para cobrir
notícias do mundo. E, nesse momento, entendemos, de uma forma muito singular, que para nós, jornalistas, não há história mais importante no mundo atual do que a crise climática. Na Columbia, mais especificamente,
sob liderança do nosso atual reitor, nós colocamos em nosso currículo e nas nossas iniciativas institucionais
esse importante tema. Os estudantes do nosso programa de mestrado, por exemplo, podem fazer vários cursos multidisciplinares em ciências e meio ambiente.
O nosso vice-reitor de assuntos acadêmicos sempre busca mostrar o poder visual de contar histórias nessa
área ambiental também. E vocês sabem que a cidade de Nova York é vulnerável a furacão, ao aumento do nível do mar. A Columbia Journalism School agora tem um cientista climático que, de fato, é professor titular lá para trabalhar com os estudantes. E ele tem trabalhado em um programa de pesquisa para investigar os impactos mais severos em termos ambientais.
Temos muita sorte, muita gratidão de fazer parte de uma discussão como esta no dia de hoje em que os jornalistas podem compartilhar suas experiências e ideias de inovações. E agradecemos à ESPM por nos incluir nesta discussão importante.
Muriel Alarcón

Muriel Alarcón, jornalista chilena, professora da Pontíficia Universidade Católica do Chile. É mestre em Ciências, Saúde e Jornalismo Ambiental pela Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia
Eu estava conversando com uma amiga minha recentemente, e ela disse: “Você se tornou uma repórter do
clima?”. Eu falei: “Bom, hoje eu acho que todo jornalista vai se tornar um repórter do clima. Isso é algo que
acredito muito, porque eu acho que a crise climática é a maior história do nosso planeta”.
A pandemia também me ensinou sobre a importância da ciência na nossa vida. Eu coloquei um objetivo, que é incluir cientistas na minha história, principalmente cientistas que estão lutando, combatendo as mudanças
climáticas e interagindo com comunidades, porque eles também, por meio das suas descobertas, podem ensinar formas de salvar o planeta. Então, nessa busca ativa, eu encontrei muitos outros cientistas locais hoje que querem muito compartilhar suas descobertas, querem muito colocar a serviço da sociedade, de um público maior, o que encontraram em suas pesquisas.
Eu acredito que, hoje, é papel do jornalista fazer essa ponte entre o mundo científico e o mundo maior
de pessoas comuns, porque eu acredito que isso também pode levar a um equilíbrio, pois a narrativa hoje
está muito polarizada. É assim que eu vejo a descoberta dessas histórias. Eu acho que o jornalismo não é
apenas documentar, mas também construir confiança com as fontes, com os cientistas, com as comunidades.
Artigo publicado originalmente na edição 34 da Revista de Jornalismo ESPM CRJ. Julho – Dezembro 2024