Jornalista de formação e hoje dedicada ao estudo e ao uso de inteligência artificial, Ana Freitas defende que o valor do profissional passa cada vez mais por aquilo que ele sabe decidir, interpretar, verificar e assumir como escolha própria. Isso não significa rejeitar a IA, muito pelo contrário. Ana acredita que jornalistas deveriam experimentar mais profundamente essas ferramentas e incorporá-las ao processo de trabalho, desde que não entreguem a elas o fluxo inteiro de decisão. A regra é simples: se você não consegue explicar, defender e assinar embaixo do que foi produzido, terceirizou demais.
Para ela, o desafio não está em tentar preservar tarefas que a tecnologia passou a executar bem, mas em reconhecer onde continua a responsabilidade humana. Ela argumenta que talvez não seja o jornalista, tal como o conhecemos, que esteja se tornando mais necessário, mas o jornalismo e algumas das competências que ele historicamente cultivou: letramento midiático, capacidade crítica, checagem, formulação de boas perguntas e disposição para compreender antes de publicar. Num ambiente em que produzir informação se tornou mais fácil e fabricar falsidades também, essas habilidades deixam de ser apenas profissionais e passam a ter valor social.
Se escrever pode deixar de ser o principal diferencial de um jornalista, o que passa a ocupar esse lugar? E que tipo de jornalismo poderá emergir quando a IA deixar de ser uma novidade e passar simplesmente a fazer parte do trabalho?
Conversamos sobre tudo isso e um pouco mais.
Claudia Penteado – Antes de falar de inteligência artificial, quero abordar a sua trajetória. Como você se tornou jornalista, que tipo de repórter você foi e que experiências da sua formação ainda aparecem no modo como você pensa e trabalha hoje?
Ana Freitas – Eu escrevo desde muito pequena e também tive acesso muito cedo a computador e internet. Desde os 8 anos, usava o computador da minha tia e aprendi a programar para publicar meu próprio site, meus textos. Isso começou quando eu tinha 10, 11 anos. Na adolescência, passei por várias comunidades relacionadas a coisas de que gostava, bandas, livros, numa internet ainda mais simples, mais primitiva, mas sempre escrevendo.
Em 2005, criei um blog de crônicas do cotidiano que acabou ganhando certa notoriedade na blogosfera. Cheguei a fazer parceria com alguns portais grandes de notícias, que destacavam meu conteúdo na home. Eu tinha bastante acesso para aquela época e comecei também a fechar parcerias com marcas e a ganhar algum dinheiro com o blog.
Além disso, meu pai era jornalista, então soube relativamente cedo que queria fazer isso, embora na adolescência, quando me politizei mais, tenha ficado em dúvida entre Direito, Sociologia e Jornalismo. Acabei escolhendo Jornalismo.
Fiz faculdade numa época em que o jornalismo ainda era mais parecido com o que tinha sido antes, embora as redes sociais já existissem. De alguma forma, participei dessa transformação. Comecei como estagiária, primeiro nos laboratórios da faculdade, depois numa editora, numa revista, até chegar a um jornal grande.
No Estadão, fui estagiária no portal. Fazia notas sobre todos os temas, plantão de fim de semana. Em determinado momento, assinei um furo, o que foi curioso porque acabei sendo um pouco censurada pela direção do jornal: era uma informação que expunha uma empresa muito grande. Depois fui trabalhar no caderno de cultura digital e tecnologia. Acompanhei de perto e ajudei, de alguma maneira, a opinião pública a entender as transformações tecnológicas, de comportamento e de cultura digital que aconteceram a partir de 2008, 2010. Fui repórter de tecnologia e cultura digital. Trabalhei na Superinteressante, na Galileu, sempre com um faro muito voltado para pautas de comportamento conectadas à cultura digital. No Nexo, segui por essa linha, mas cobrindo também várias outras agendas contemporâneas. Fiz de tudo, menos política em Brasília e internacional. Até política local e municipal eu cobri.
Do jornalismo, preservo algo que considero fundamental: ele proporciona um letramento midiático como talvez nenhuma outra formação. E letramento midiático talvez seja uma das habilidades mais importantes para qualquer cidadão hoje. É conseguir ler alguma coisa e entender se aquilo é opinião ou notícia. É perceber se aquela notícia está considerando os aspectos relevantes da realidade, se existe ali uma tentativa de apresentar diferentes lados do fato. É conseguir distinguir fato de não fato nas informações que consumimos. E, principalmente, desenvolver a capacidade de fazer boas perguntas e de escutar antes de formar uma opinião. Acho que tudo isso é muito importante não apenas para o meu trabalho hoje, mas para o mundo que estamos vivendo.
CP – Em que momento a inteligência artificial deixou de ser apenas um tema que você acompanhava e passou a ocupar o centro do seu trabalho? Houve algum episódio, experiência ou descoberta que fez você perceber que precisava se dedicar mais profundamente a isso?
AF – Ainda no jornalismo, quando comecei a ficar responsável pelas chamadas nas redes sociais das matérias que fazia, percebi que as pautas que eu sugeria tinham uma performance melhor do que as dos meus colegas. Minhas ideias estavam mais conectadas ao zeitgeist, ao debate público nas redes sociais.
Comecei então a me interessar pela ciência do marketing nas redes sociais. Queria entender como analisar as chamadas que escrevia, os títulos, encontrar padrões que pudesse aplicar. Naquela época, a tecnologia de análise de linguagem ainda não estava muito avançada, e foi aí que comecei a me interessar por esse campo. Isso foi por volta de 2016, 2017. Entrei na publicidade e aprendi muito mais sobre dados, performance e ciência do marketing, dentro do que existia naquele momento. Mas a grande virada foi o lançamento do ChatGPT 3.5, a primeira versão com uma interface realmente amigável para o usuário final. Quando vi aquilo, no fim de 2022, soube que tudo ia mudar muito, para sempre. Foi isso.
CP – Você costuma dizer que nossa vantagem diante da IA será saber o que não delegar. No jornalismo, o que não deveria ser delegado nunca?
AF – O que não deve ser terceirizado no jornalismo, na verdade, é o que não deveria ser terceirizado em nenhuma profissão: as escolhas. Os recortes, o enquadramento, a escolha das fontes, do ângulo. Essas coisas precisam passar pelo crivo de um ser humano. É preciso tomar cuidado porque muitas vezes a IA faz seleções e nos entrega resultados sem que percebamos que houve ali uma seleção. Não avaliamos o viés presente naquela escolha. E viés sempre vai existir. A questão é que, com a IA, ele pode ficar invisível para nós. É aí que está o risco.
CP – Você foi repórter durante muitos anos. Quando olha para a rotina de uma redação hoje, quais tarefas entregaria tranquilamente à IA e em que momento a automação começa a significar terceirização de pensamento, julgamento ou autoria?
AF – Tem um monte de tarefas que dá para entregar tranquilamente à IA. E a redação hoje é um ambiente com tarefas muito diferentes das que existiam quando eu estava lá. Como ferramenta auxiliar para registro e gestão de informações, a IA é muito poderosa. Você pode registrar uma entrevista, transcrevê-la e organizar as informações. É também uma ferramenta de pesquisa muito poderosa: para desenvolver uma pauta, encontrar uma fonte importante para determinado tema, aprofundar a pesquisa sobre aquela fonte, identificar pontos cegos nas perguntas que você pretende fazer, melhorar essas perguntas e os ângulos da matéria. Ela pode ajudar, inclusive, a perceber vieses que você próprio está colocando na pauta sem saber.
Não acho que exista uma fronteira binária a partir da qual você possa dizer: “daqui para frente já é terceirização de pensamento”. É mais complexo. Mas, quanto mais livremente a IA trabalha e quanto menos você interfere nos processos de tomada de decisão ao longo de um fluxo de trabalho, mais negativo isso tende a ser, tanto para a qualidade do trabalho quanto para a sua própria capacidade de exercitar a cabeça e tomar decisões.
CP – Escrever bem sempre foi uma competência central da profissão. Agora qualquer pessoa consegue produzir em segundos um texto correto, organizado e aparentemente sofisticado. O que passa a diferenciar a escrita jornalística quando a boa forma deixa de ser evidência de pensamento, conhecimento ou autoria?
AF – Se formos falar da escrita num aspecto mais estético, existe uma questão de correção e outra de criatividade, de fugir dos padrões. Nós conseguimos fugir deles, enquanto a IA tende a replicar padrões. Mas acho que talvez a pergunta esteja no lugar errado. Talvez escrever não seja mais aquilo que nos diferencia. E tudo bem, porque existem outras coisas que nos diferenciam. A nossa capacidade de nos conectar ou não com um personagem ou uma fonte, por exemplo. A maneira de olhar e desenvolver uma pauta, de encontrar um recorte, um ângulo muito criativo. A IA não vai necessariamente chegar sozinha a isso. Podemos construir esse processo junto com ela, receber sugestões, mas somos nós que vamos arrematar aquela ideia e chegar a uma pauta realmente boa. Talvez a transformação esteja justamente aí.
CP- Se a IA pode assumir uma parcela crescente da execução, talvez o trabalho do jornalista passe a valer menos pelo que ele faz manualmente e mais pelo que sabe decidir, perguntar, interpretar e verificar. Quais habilidades se tornam mais importantes nesse novo cenário? E como fazer da IA uma aliada sem abrir mão justamente daquilo que deveria continuar sob responsabilidade humana?
AF – Na verdade, isso que você listou, decidir, perguntar, interpretar, verificar, checar, passa a ser o trabalho de todo mundo, não apenas do jornalista. À medida que a IA assume parte da execução do trabalho das pessoas, essas são as competências que precisam ser desenvolvidas. Importam as perguntas que fazemos, nossa capacidade de avaliar e verificar as respostas, de enxergar caminhos, pontos cegos e lacunas que a IA não viu e de controlar as etapas e as decisões dentro de um fluxo de trabalho com inteligência artificial.
Para transformar a IA em aliada sem abrir mão da responsabilidade humana, acho que é preciso usá-la em etapas. Você não pode simplesmente pedir à IA que entregue o trabalho final. Não é: “Escreva um texto”. Primeiro, ela me ajuda na pesquisa. Eu leio a pesquisa. Checo se aquilo está correto. Avalio. Tenho uma ideia e digo: “A partir da pesquisa que fiz, acho que um bom ângulo para essa pauta seria este. Você pode explorar mais isso? Aprofundar aquilo?”. E assim você vai desatando o nó, puxando o fio do novelo aos poucos, num trabalho de ida e volta com a IA.
No final, você terá feito a pesquisa, eventualmente entrevistado as fontes, trazido esse material. Pode usar a IA para extrair dali o que há de mais interessante, pensar no lead, no título, ajudar num trecho em que está com bloqueio, procurar pontos cegos ou outras fontes que poderiam complementar a matéria. Mas você trabalhou junto com ela. Exercitou, em cada etapa, sua capacidade de decisão, tomou decisões complexas e exercitou o seu próprio cognitivo.
CP – Nesse cenário, a formação do jornalista precisa se tornar mais tecnológica ou, paradoxalmente, investir ainda mais em repertório, história, política, economia, ciência, literatura, cultura e capacidade crítica, justamente para que ele consiga avaliar o que uma máquina entrega?
AF – Minha primeira leitura é não só a formação jornalística, mas a formação de todo mundo, precisa se tornar cada vez mais conceitual e contextual para gerar senso crítico. Isso significa investir mais em repertório de história, política, atualidades, economia, ciência, literatura, cultura. Construir capacidade crítica. É isso que vai ser importante. E experiência também. É preciso executar, saber reconhecer o que é bom. A capacidade crítica é o que permite a uma pessoa saber o que é aceitável e o que não é, que resposta é boa e qual não é. E ela é construída tanto estudando quanto errando e acertando. Portanto, precisamos também de elementos de prática e de experiência com consequências reais, ou pelo menos de simulações muito próximas disso.
As faculdades de Jornalismo já têm laboratórios e instâncias de simulação, mas acho que isso precisa acontecer com muito mais volume de produção, mais proximidade com a realidade e, ao mesmo tempo, com um trabalho muito forte de desenvolvimento do senso crítico.
CP – Há um paradoxo curioso: nunca tivemos ferramentas tão poderosas para encontrar e processar informação e, ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil fabricar textos, imagens, áudios e documentos falsos. Esse ambiente torna o jornalista mais dispensável ou, ao contrário, mais necessário?
AF – Eu não acho que esse ambiente torne o jornalista mais necessário. Acho que torna o jornalismo mais necessário, desde que ele seja capaz de se adaptar a esse novo ambiente. E não estou falando de se adaptar no sentido de descobrir como comunicar melhor nas redes sociais. Estou falando de entender que talvez determinadas premissas do jornalismo que aprendemos já não façam mais sentido e que existam outros paradigmas que precisamos considerar neste momento. Então, não sei se o jornalista é mais necessário. Acho que o jornalismo é necessário. E existe jornalismo sem jornalista? Acho que não. Mas o jornalista desse novo jornalismo precisa de outras competências, ou talvez de competências que ele já tenha, mas ainda não considere as mais importantes. Talvez ache, por exemplo, que o mais importante no seu trabalho seja escrever.
As competências do jornalismo de que falamos desde o início da conversa, especialmente o letramento midiático, tornam-se necessárias para a sociedade como um todo. Talvez estivéssemos vivendo um cenário geopolítico bastante diferente se tivéssemos formado mais pessoas nessas habilidades para as quais o jornalista tradicionalmente é formado.
CP – O leitor já pode perguntar diretamente a uma IA o que aconteceu e receber uma síntese sem visitar o veículo que produziu a informação original. O que acontece com o jornalismo quando a relação entre jornalista e público passa a ser mediada por empresas de tecnologia? E, nesse ambiente, onde estará o valor escasso do jornalismo?
AF – Para mim, a pergunta não é apenas o que acontece quando a relação entre jornalista e público passa a ser mediada por uma empresa de tecnologia. É o que acontece quando o consumo de informação, e portanto a construção da maneira como as pessoas entendem a realidade e como ela funciona, passa a ser mediado por essas empresas. O que acontece? Precisamos regular essas empresas de tecnologia ou vamos ter uma erosão gradativa da democracia em função da forma como empresas privadas podem operar. Elas funcionam a partir de interesses privados, o que é lamentável nesse contexto, mas também não é nada diferente do que se espera de uma empresa privada. É justamente por isso que empresas são reguladas: para que não possam operar unicamente em função desses interesses.
Quanto ao valor do jornalismo, ele não é percebido intrinsecamente pelas pessoas. Estamos num momento muito crítico em relação a isso. A sociedade, de maneira geral, não entende necessariamente o valor do jornalismo, ainda mais depois da erosão da confiança nas instituições e na imprensa. E essa erosão também foi construída, inclusive deliberadamente, para desacreditar instituições e abrir espaço para outros interlocutores políticos. Esse valor precisa ser reconstruído. E acho que, para restaurar a confiança das pessoas, existe uma postura do jornalismo que precisa ser abandonada: a perseguição de uma imparcialidade que já sabemos que não existe e que às vezes leva à falsa simetria. O papel do jornalismo não é dizer: “Uma pessoa falou que está chovendo e outra falou que não está”. Isso é jornalismo declaratório. O papel do jornalismo é sair, abrir a janela e descobrir se está chovendo. E, se for preciso, ligar para alguém em outra região para saber se está chovendo lá também. O jornalismo entrou muitas vezes nessa lógica declaratória para se isentar de uma cobertura mais cara, e existe, claro, toda a falência do modelo de negócio. Ninguém conseguiu reinventar completamente isso ainda, embora existam iniciativas muito interessantes de vários tipos. E algumas das iniciativas mais disruptivas, para mim, nem sequer vêm de veículos jornalísticos. Vêm de outras instituições e atores que começam a produzir conteúdo, colocam ali um método jornalístico e podem estar criando o embrião de um novo jeito de fazer.
CP – Depois de tudo o que você estudou, ensinou e experimentou com inteligência artificial, o que você acha que estamos perguntando demais sobre IA e jornalismo? E, principalmente, qual é a pergunta importante que ainda não estamos fazendo?
AF – Na verdade, acho que estamos fazendo perguntas demais e fazendo pouco aquilo que deveríamos fazer, que é ver com os nossos próprios olhos. Não estou dizendo que perguntar seja ruim. Mas ficamos o tempo todo nos perguntando como a IA pode nos ajudar, como devemos ou não devemos usá-la. E, na prática, vejo jornalistas usando IA muito menos do que deveriam, inclusive para entender o que é verdade e o que não é sobre as próprias ferramentas, sobre seus usos positivos e negativos.
Acho que precisamos voltar a uma lógica muito simples: não noticiar aquilo que não conseguimos, de alguma maneira, comprovar. Essa comprovação pode vir de uma fonte em quem confiamos, que seja especialista naquele assunto. Mas precisamos comprovar. E não noticiar aquilo que não entendemos. Se você não entendeu, não noticia. São coisas muito simples, mas eu aprendi que, se você não entendeu um assunto sobre o qual está falando, precisa encontrar fontes que expliquem aquilo e pesquisar até entender. Porque, quando você entende, consegue explicar melhor. O que vemos muito é o jornalismo declaratório: reproduzimos notícias sem tê-las de fato entendido ou sem nos preocuparmos em explicar aquilo para o público.
Acho que também precisamos perguntar mais onde está a interseção entre aquilo que eu preciso dizer, o interesse público que orienta o jornalista, e aquilo que é de interesse do público. Não porque eu só deva noticiar o que interessa ao público, mas porque compreender isso me ajuda a formatar o material de uma maneira que tenha mais aderência com quem precisa consumir aquela informação, com quem achamos que deveria consumi-la.
CP – Para quem está começando agora, tanto estudantes quanto professores de jornalismo, qual seria o seu “kit básico” para entrar nessa conversa sem se perder entre entusiasmo e medo? O que vale aprender, testar e incorporar desde já, e que princípio você considera essencial preservar?
AF – Uma dica muito simples, mas que vejo as pessoas ignorarem com certa frequência, é: cheque se você assina embaixo de tudo o que a IA está fazendo, não importa o quanto você tenha usado a ferramenta naquele processo. Eu prefiro esse trabalho de construção conjunta e validação constante que descrevi antes. Mas, mesmo para quem usa mais IA do que eu usaria, o importante é ler aquilo, entender tudo o que está ali. A IA deu uma resposta? Leia. Entenda. Se você não entendeu, dê um jeito de entender. Você é jornalista.
Se vai escrever alguma coisa, pergunte a si mesmo se assina embaixo de verdade. Se alguém vier cobrar qualquer coisa que esteja dita ali, você assume a responsabilidade? Porque, se você não for capaz de assumir a responsabilidade, significa que usou mal a ferramenta. Se você não consegue responder por tudo o que está sendo dito, terceirizou demais. Se alguém questionar o vocabulário, o uso de um lugar-comum na linguagem ou um fato descrito, você consegue defender aquilo? Consegue assumir a responsabilidade por aquelas escolhas? Se não consegue, usou a inteligência artificial de uma maneira errada, terceirizou a ela mais do que deveria.
E, além disso, é preciso usar as ferramentas. Estudar e usar. Não tem muito segredo. É preciso também abandonar uma resistência que vejo em muitos jornalistas, que acham que a IA não tem capacidade de fazer uma série de coisas. Tem, sim. Você se surpreenderia se soubesse. E é importante saber disso justamente para poder se perguntar o que ela não consegue fazer e focar no desenvolvimento dessas capacidades. As pessoas precisam ter uma experiência vasta, aprofundada e em primeira mão com essa tecnologia, não uma experiência vaga, superficial, do tipo “vou usar para listar alguma coisa no meu texto”. É preciso mergulhar nisso. Especialmente se você for jornalista.